quinta-feira, 29 de abril de 2010

Habitação do Brasil

Há em todo o país 39.735.768 domicílios permanentes (casa, apartamento ou cômodo, excluídas as moradias improvisadas) segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD-1996), do IBGE. Dessas moradias, 73,6% são próprias; 13,6%, alugadas; 12,3%, cedidas; e 0,5% em outras condições, como invasões, por exemplo. Quanto à densidade por dormitório, 17% tem apenas um morador; 54,4% tem mais de 1 até 2; 19,7% tem mais de dois até três e 6,% mais de três até quatro.
Os dados sobre favelas são antigos. Aproximadamente 1 milhão de moradias estão em favelas, segundo o Censo de 1991. Nelas residem 4,4 milhões de pessoas, em sua maioria nos estados de São Paulo (com 29,8% do total) e Rio de Janeiro (24,8%) Estudo da Fipe, Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, aponta diferenças significativas no poder aquisitivo dos moradores das favelas, o que faz com que existam simultaneamente construções de alvenaria e de materiais sem resistência, como papel e papelão. A maior parte da população favela da vive abaixo da linha de pobreza, com renda média familiar que oscila entre quatro e cinco salários mínimos.
Alguns bens duráveis já estão bastante disseminados nas moradias brasileiras. Segundo a PNAD, 96,6% dos domicílios possuem fogão; 58,0%, filtro de água; 90,4%, rádio; 84,3%, televisão; e 78,2%, geladeira. Outros bens estão restritos a um número muito menor de casas. Apenas 30,4% têm máquina de lavar roupa; 25,4%, telefone; e 18,0%, freezer.
Do total de moradias, 81,1% estão nas cidades. Isso é conseqüência do processo de urbanização acelerada, que começa a partir dos anos 50. Essa urbanização não foi acompanhada por investimentos que garantissem boas condições de vida para os moradores das cidades. A população de favelas, cortiços e bairros periféricos das grandes cidades tem acesso precário à água potável, ao saneamento básico e à coleta de lixo.
Abastecimento de água – Segundo, ainda, o registro da PNAD, 77,6% dos domicílios no país são abastecidos de água pela rede geral de distribuição. O restante, por água de poço ou nascente, carro-pipa ou coleta de chuva. Muitas vezes a água consumida nas casas não é tratada nem canalizada, o que favorece a contaminação por germes e parasitas.
Para evitar os riscos que o tratamento inadequado da água pode provocar tanto para a saúde humana quanto para o meio ambiente, podem ser adotadas algumas medidas de controle e prevenção. Os açudes e reservatórios devem ser circundados por uma área de proteção, para que não haja contaminação decorrente de construções habitacionais, da criação de animais ou de outras culturas. É necessário também impedir o desmatamento e incentivar o reflorestamento das zonas de proteção. O transporte da água precisa ser feito por canalização fechada desde a nascente até os reservatórios e pontos de consumo. Nas casas, os depósitos têm de ter tampas que impeçam a entrada de mosquitos, poeiras, líquidos ou matéria orgânica. Se o abastecimento for proveniente de poço, este não pode estar perto de fontes de poluição, como fossas, áreas de criação animal e depósitos de lixo.
Há vários métodos de tratamento da água. Entre os mais usados estão a filtragem, feita na nascente ou no domicílio; e a depuração por agentes físicos, como calor ou eletricidade, ou por agentes químicos como o cloro, em uso no mundo inteiro.
Esgotos – Pela PNAD, em 40,3% dos domicílios do país o escoamento sanitário é feito por rede coletora; em 23,3%, por fossa séptica; em 26,0%, por fossas secas ou diretamente em valas, rios, lagos ou mar; e em 10,4% não há nenhuma forma de escoamento.
As duas formas de escoamento dos dejetos sanitários domiciliares usadas são a rede coletora ou a fossa. Na rede coletora ocorre o transporte canalizado, com ou sem tratamento, dos detritos rumo a um escoadouro de determinada região. Em geral, o destino final das redes é um rio ou, no caso de cidades litorâneas, o mar. Quando não tratado, esse esgoto é uma das principais causas de poluição das águas. Em áreas desprovidas de sistema público de esgoto, as fossas são uma opção. Elas classificam-se em dois tipos: séptica ou seca. A séptica é constituída de um tanque séptico e um sumidouro. O tanque séptico recebe os dejetos junto com a água. A parte sólida, retida por certo tempo para a sedimentação, sofre um processo de digestão por microorganismo anaeróbios, enquanto o líquido passa para o sumidouro, que, com paredes permeáveis, permite sua infiltração no solo. A fossa seca é um buraco com 1 m de diâmetro por 2,5 m de profundidade que recebe os detritos diretamente, sem água. Sobre o buraco se constrói um piso, de concreto, madeira ou outros materiais disponíveis na região. É uma solução de baixo custo, freqüente em construções sem água encanada. Quando está cheia, a fossa seca pode ser transferida de local ou esvaziada.Quando construídas sem as precauções adequadas, permitem contaminação do lençol freático.
Coleta de lixo – Em 73,2% dos domicílios há coleta de lixo, segundo a PNAD. Na maioria das vezes é recolhido diretamente nas casas por empresas de limpeza públicas ou privadas. Pode também ser depositado em caçambas, tanques ou depósitos para coleta posterior. Parte do lixo doméstico, no entanto, ainda é despejado, em terrenos baldios. Sem tratamento, o lixo favorece a transmissão de doenças como febre tifóide, salmonelose, disenteria, malária, febre amarela, raiva, peste bubônica, leptospirose, sarna e certas verminoses, na medida em que permite a proliferação de insetos e roedores. A queima de resíduos sólidos causa danos para o meio ambiente, contaminando o solo, a água e o ar.

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