quinta-feira, 29 de abril de 2010

Rede Urbana

A rede urbana é formada pelo sistema de cidades, no território de cada país interligadas umas às outras através dos sistemas de transportes e de comunicações, pelos quais fluem pessoas, mercadorias, informações etc. Obviamente as redes urbanas dos países desenvolvidos são mais densas e articuladas, pois tais países apresentam alto nível de industrialização e de urbanização, economias diversificadas e dinâmicas, vigoroso mercado interno e alta capacidade de consumo. Quanto mais complexa a economia de um país ou de uma região, maior é a sua taxa de urbanização e a quantidade de cidades, mais densa é a sua rede urbana e, portanto, maiores são os fluxos que as interligam. As redes urbanas de muitos países subdesenvolvidos, particularmente daqueles de baixo nível de industrialização e urbanização, são muito desarticuladas, por isso as cidades estão dispersas no território, muitas vezes nem mesmo formando propriamente uma rede.
Assim. As redes das cidades mais densas e articuladas surgem justamente naquelas regiões do planeta onde estão as megalópoles: nordeste e costa oeste dos Estados Unidos, porção ocidental da Europa e sudeste da ilha de Honshu no Japão, embora haja importantes redes em outras regiões do planeta, como aquelas polarizadas pela Cidade do México, por São Paulo, por Buenos Aires e muitas outras de menor importância espalhadas pelo mundo.

Hierarquia Urbana

Desde o final do século XIX, muitos autores passaram a utilizar o conceito de rede urbana para se referir à crescente articulação existente entre as cidades, como resultado da expansão do processo de industrialização ou urbanização, no mesmo período, na tentativa de apreender relações travadas entre as cidades no interior de uma rede, a noção de hierarquia urbana também passou a ser utilizada. O conceito foi tomado do jargão militar, em que há, de fato, uma rígida hierarquia, ou seja, o subordinado tem de se reportar ao seu superior imediato. Assim, por exemplo, no exército, o soldado tem de se reportar ao cabo, que por sua vez tem de se reportar ao sargento, que tem de se reportar ao tenente, capitão etc. sempre num crescendo de poder e de influência, até chegar ao topo máximo da hierarquia, que seria o cargo de general. Desse modo, fazendo uma analogia, a vila seria o soldado e a metrópole completa, o general. Logo a metrópole seria o nível máximo de poder e influência econômica e a vila, o nível mais baixo, e sofreria influência de todas as outras. Desde o final do século XIX até meados da década de 70, foi essa a concepção de hierarquia urbana utilizada. Veja o esquema.
Ocorre que essa concepção tradicional de hierarquia urbana não dá mais conta das relações concretas travadas entre as cidades do interior da rede urbana. Com os crescentes avanços tecnológicos, com a brutal modernização dos sistemas de transportes e de comunicações, com o barateamento e a maior facilidade de obtenção de energia, com a disseminação dos automóveis, enfim, com a "contração" do tempo e o "encurtamento" das distâncias, as relações entre as cidades já não seguem mais o "esquema militar", pelo qual era necessário "galgar" postos dentro da hierarquia das cidades como foi visto acima. Atualmente, já é possível falar da existência de uma nova hierarquia urbana, dentro da qual a relação da vila ou da cidade local pode ser travada com o centro regional, com a metrópole regional ou, em certos níveis, mesmo diretamente com a metrópole nacional.
Assim, é possível uma família morar numa vila (ou bairro) da cidade de Sorocaba (centro regional), que fica aproximadamente a 100 quilômetros de São Paulo, e deslocar-se periodicamente à metrópole paulistana para as compras, ou para o lazer, ou mesmo para trabalhar e, dessa forma, deslocar-se cotidianamente. É possível uma pessoa morar em Araçoiaba da Serra (cidade local) e ter mais vínculos com São Paulo (metrópole nacional) do que com Sorocaba (centro regional). É também plenamente possível uma pessoa residir numa chácara, na zona rural da região de São Roque (cidade local) situada a uns 60 quilômetros de São Paulo e estar totalmente integrada à metrópole, sem Ter necessidade de ir ao centro de São Roque. O que há em comum entre todas essas pessoas é que elas podem dispor de modernas rodovias (Castelo Branco e raposo Tavares) para se deslocar.
Atualmente, uma pessoa pode residir numa chácara ou num sítio, na zona rural, ou numa pequena cidade, lugares distantes de um grande centro, e estar mais integradas do que outra pessoa que resida no interior desse mesmo centro. Se a pessoa vive, por exemplo, numa chácara a quilômetros da grande cidade, mas tem à sua disposição telefone, computador, modem, fax, antena parabólica e um bom automóvel, ela está mais integrada do que a pessoa que mora dentro da cidade, por exemplo, num cortiço ou numa favela, e não tem acesso a todos esses modernos bens e serviços. Percebe-se, portanto, que o que define a integração ou não das pessoas à moderna sociedade capitalista é a maior ou menor disponibilidade de renda e, consequentemente, a possibilidade de acesso às novas tecnologias, aos novos conhecimentos, aos novos bens e serviços, e não mais as distâncias que as separam dos lugares.
Essa relativização das distâncias que tem repercussões na rede urbana, também pode ser verificada nas relações capitalistas de produção. Veja o caso da agroindústria do suco de laranja ou de açúcar e álcool do interior do estado de São Paulo. Essas indústrias estão localizadas na zona rural, e no entanto, a mão-de-obra que utilizam, os bóia-frias, vive nas cidades. Além disso, elas dispõem de grandes volumes de capital e produzem para o país inteiro e para o exterior. Tome-se o exemplo da Cutrale, localizada no município de Bebedouro (estado de São Paulo). Praticamente toda a sua produção de suco concentrado está voltada para a exportação e é escoada em caminhões até o porto de Santos, de onde é transportada em navios principalmente para os Estados Unidos. Esta indústria que está na zona rural, relaciona-se com a cidade de Bebedouro contratando trabalhadores, recolhendo impostos etc. e, ao mesmo tempo, com o mundo através de suas exportações.
Nos países desenvolvidos, e mesmo nas regiões industrializados de países subdesenvolvidos, é cada vez mais comum a descentralização das indústrias, instaladas na zona rural, nos eixos de modernas rodovias e ferrovias. Paralelamente, a produção agropecuária foi quase totalmente incorporada pelo capital industrial, pela agroindústria. Tudo isso nos permite concluir que a oposição campo x cidade ou agricultura x indústria já não faz muito sentido na análise geoeconômica dos dias de hoje, notadamente nos países desenvolvidos. A expansão do capital vai envolvendo todas as atividades no processo de modernização, o que acaba levando ao rompimento dessas oposições. Tudo acaba sendo integrado econômica e geograficamente na lógica do lucro, na lógica da reprodução do capital.
VOCÊ PRECISA SABER
• Quais são os fatores que condicionam a urbanização nos países desenvolvidos?
• Quais os principais problemas da urbanização nos países subdesenvolvidos?
• O que você entende por rede e hierarquia urbana?
• Quais as diferenças fundamentais entre a tradicional e a nova hierarquia urbana?
• Por que a clássica oposição campo X cidade e agricultura X indústria já não faz mais sentido atualmente nas regiões mais ricas do planeta?
• O que significa dizer que as distâncias são relativas hoje em dia? Qual é a conseqüência disso na urbanização atual?

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