quinta-feira, 29 de abril de 2010

A Urbanização No Espaço Mundial

O surgimento das cidades é um fenômeno antigo. Em várias regiões da Antigüidade, desde a Mesopotâmia (atual Iraque), ao vale do rio Nilo (Egito), vale do rio Indo (Paquistão), vale do rio Amarelo (China), entre outras, escavações arqueológicas se depararam com construções de cida¬des que chegaram a abrigar milhares de pessoas. Fato comum a todas elas era a proximidade com os vales fluviais, zonas estratégicas no abastecimento de água, irrigação, pesca e navegação.
Em virtude dos tipos de atividades econômicas nela realizados, especialmente a comercial e a artesanal, a cidade parece ser um fenômeno de concentração demográfica que acompanha a história do homem. Seu crescimento, apogeu e decadência têm estreita relação com as rotas comerciais, conquistas territoriais militares e movimentos das economias nas diferentes épocas históricas.
Regra geral, desde as cidades da Antigüidade, a escolha do local para a construção de uma aglomeração urbana, mesmo nascida de forma espontânea, seguiu certos requisitos importantes: proximidade de alguma fonte fornecedora de água e de outras matérias-primas necessárias; prote¬ção em relação à invasão ou ataques de inimigos; facilidade de fuga; e possibilidade de obtenção de alimento nas zonas com excedentes de produção, o que estabeleceu uma relação de interde¬pendência com o campo.
Por isso mesmo, o conceito de urbanização está estreitamente ligado às benfeitorias que mar¬cam a estrutura de uma cidade, seus equipamentos e serviços destinados a seus habitantes, além das particularidades de sua organização econômico-política e das relações sociais que produz.
O que impulsiona o desenvolvimento das cidades é a situação geográfica, que nada mais é que a posição destas em relação às áre¬as vizinhas.

Com a Revolução Industrial, nos séculos XVIII e XIX, a industrialização impulsionou a urbanização principalmente na Europa. As ci¬dades cresceram de forma muito rápida. A par¬tir disso surgiram muitos problemas decorren¬tes das transferências maciças de grandes con¬tingentes do campo para as cidades, em busca de melhores condições de vida.
A exploração de mão-de-obra infantil, o ex¬cesso da carga horária de trabalho e as péssi¬mas condições de vida nas periferias das cida¬des foram algumas das situações provocadas com a acelerada urbanização. Foram necessárias intervenções de ordem político-jurídica, disci¬plinando as condições de trabalho, além de reorganizações do espaço urbano, democratizando serviços e bens que tiveram que ser ampliados.
Esse fenômeno afetou predominantemente os países pioneiros na industrialização. A cida¬de deixava de abrigar apenas as atividades comerciais e de serviços, para se tornar a estruturadora das atividades industriais.
A pressão in¬dustrial exercida no século XX, principalmente após a Segunda Guerra Mundial, estimulou o crescimento urbano em todo o globo, princi¬palmente nos países subdesenvolvidos.
Daí decorre a diferenciação entre os modelos de urbani¬zação dos países desenvolvidos e subdesen¬volvidos. No primeiro caso, a urbanização éum fenômeno resultante do avanço econômi¬co e tecnológico local e, no segundo, da transferência desse aparato para os países pe¬riféricos, geralmente menos preparados para enfrentar a complexidade dos problemas que surgem.
Nos países de economia periférica, o pro¬cesso de urbanização tem ocorrido de maneira desordenada.
O rápido crescimento ocorrido nas cidades dos países subdesenvolvidos em virtude da industrialização foi uma das principais causas do crescimento desordenado, fato gerador de sérios
problemas de transporte, saneamento, moradia, poluição ambiental, entre outros.
O baixo poder aquisitivo das populações que migram do campo para as cidades provoca o crescimento de subabitações, como as fave¬las e os cortiços. Além disso, a baixa qualificação dessa mão-de-obra disponibiliza grandes massas de trabalhadores que ficam sem ocupação formal em períodos de crises econômicas. O desemprego aumenta a marginalidade so¬cial, interferindo diretamente no crescimento da criminalidade nesses centros.
Entre as cidades mais populosas do globo, predominam as que pertencem ao chamado Terceiro Mundo, inegavelmente, fruto do rápido crescimento ocorrido nelas após a Segunda Guerra Mundial.
A taxa de urbanização de um país nos in¬dica a porcentagem de população que vive em núcleos urbanos. para calculá-la, divide-se o número de habitantes das cidades (população urbana) pelo número de habitantes do país, e o resultado multiplica-se por 100.
É preciso, portanto, analisar o processo da urbanização mundial de maneira cuidadosa. Nos países em que o processo de industrialização ocorreu principalmente a partir do desenvolvimento interno, de forma gradual e sistemática, o crescimento das cidades realizou-se de maneira mais estruturada.
Países pioneiros na industrialização, como Inglaterra, França, Alemanha, EUA e Japão, não vivenciaram as mesmas condições de crescimento urbano que se podem observar nas grandes ci¬dades de países subdesenvolvidos.
Nos países desenvolvidos, os bairros pobres das grandes cidades não se comparam aos bolsões de pobreza que caracterizam a maior parte dos grandes centros urbanos dos países periféricos, em que se verificam situações sociais caóticas, com populações pobres se amontoando nas inúmeras favelas.
O crescimento rápido de algumas cidades, que acaba culminando no fenômeno da metropolização, é resultado da incapacidade de criação de empregos, seja na zona rural, seja em cidades pequenas e médias, o que força o deslocamento de milhões de pessoas para as cidades que polarizam a economia de cada país. Acrescente-se a isso o fato de esses países, com raras exceções, apresentarem altas taxas de natalidade e, portanto, alto crescimento demográfico, e está formado o quadro que explica o rápido crescimento das metrópoles no mundo subdesenvolvido. Veja o gráfico.
Mesmo o centro dinâmico dos países subdesenvolvidos não tem capacidade de absorver tamanha quantidade de migrantes, e logo começa a aumentar o número de pessoas desempregadas. Muitos desempregados permanentes, para poder sobreviver, acabam se refugando no subemprego, que é toda forma de trabalho remunerado ou prestação de serviços que funciona à margem da economia formal, compondo, por isso a economia informal ou subterrânea. É a economia que não aparece nas cifras oficiais, pois não tem nenhum tipo de registro e não recolhe nenhum tipo de imposto. Como os rendimentos, em geral, são muito baixos, mesmo para os trabalhadores da economia formal, muitos não tem condições de comprar sua moradia nem de alugar uma casa ou apartamento para viver. Assim. Proliferam cada vez mais as sub-moradias: favelas, cortiços, pessoas abrigadas debaixo de pontes e viadutos, quando não vivendo ao relento. Essa é a face mais visível do crescimento desordenado das cidades. Os números da tabela abaixo explicitam esse que é um dos mais graves problemas urbanos brasileiros e do mundo subdesenvolvido.
Cria-se, assim, um meio social extremamente favorável à proliferação de outro problema que atormenta o cotidiano de milhões de pessoas nas grandes cidades dos países subdesenvolvidos: a violência urbana. Roubos, assaltos, seqüestros, assassinatos etc. atingem milhares de pessoas todos os anos, fazendo muitas vítimas fatais. Sem contar ainda a violência no trânsito, que faz tantas outras vítimas de acidentes. É por essas razões que o estresse é o "mal do século", atingindo principalmente os habitantes das grandes metrópoles, tanto nos países subdesenvolvidos como nos desenvolvidos, pois muitos desses problemas também ocorrem em metrópoles de países ricos.

Um comentário: