sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

As cidades e a poluição

Consumidoras vorazes de energia e produtoras de poluentes, as metrópoles viram emissoras de calor e vilãs do aquecimento global.
Em comparação com as áreas ru¬rais, as cidades são as grandes vilãs do agravamento do efeito estufa. Para piorar o quadro, as cidades industrializadas, que se transformam em metrópoles e megalópoles, constroem áreas geradoras de mais aquecimento global do que ocorria antes.
Nas grandes cidades, o consumo de ener¬gia cresce em larga escala, pela substituição de casas térreas por prédios de apartamen¬tos, de pequenas lojas por shopping centers e torres comerciais, de ruas por pistas ex-pressas para milhares de carros.
A energia necessária para a eletrici¬dade, o aquecimento e a refrigeração, o transporte e a indústria produzem mais de 60% dos gases de efeito estufa de ori¬gem humana no mundo. Embora o consu¬mo energético também cresça no campo, com a mecanização da agricultura, é nas cidades que ele é mais significativo.
Não é coincidência que o alerta verme¬lho do aquecimento global tenha ocorrido simultaneamente à supremacia dos as¬sentamentos urbanos sobre os rurais. As cidades são responsáveis pela maior parte das riquezas medidas no Produto Interno Bruto da grande maioria dos países, o que se traduz em alto consumo de energia. Esse gasto energético cada vez maior está tanto na crescente iluminação pública (já se fala no "fim da noite" no planeta), no aumento da produção de bens e serviços em fábricas, no comércio e nos escritórios quanto nas mudanças de estilo de vida que a urbani¬zação promove, pela maior automação e conforto nas casas, com máquinas para lavar roupa, televisores, micro-ondas, aparelhos portáteis, celulares e computadores.
Cidades ricas têm padrão de consumo mais elevado que cidades pobres, com mais iluminação nas ruas e residências, mais carros particulares, mais gastos de gás com alimentação e aquecimento, ou seja, mais gasto global de energia por habitante. Corno isso produz mais lixo por morador, as ci¬dades ricas também emitem mais dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa. Isso ocorre por causa da quanti-dade de combustíveis fósseis queimados, principalmente no transporte (gasolina,
querosene e óleo diesel), mas também em caldeiras industriais, em estações terme¬létricas e em sistemas de aquecimento no inverno no Hemisfério Norte (óleo cru, óleo diesel, gás natural, gás liquefeito de petróleo, carvão mineral, vegetal e coque). Além disso, as cidades produzem outros gases do efeito estufa, como o metano (gás natural, CH4), emitido pela decomposição de lixo nos aterros sanitários e de esgoto nos rios poluídos.
Para os próximos anos. há o desafio de que o progresso no padrão de vida seja acompanhado por investimentos na me¬lhoria da eficiência energética, na redução da emissão de poluentes e na recuperação de rios e áreas verdes.
Ilhas de calor

Além de produzirem gases que agravam o efeito estufa, as cidades aumentam a produção de calor, formando o que os cientistas chamam de "ilhas de calor". Quanto mais adensada, cimentada, concretada e asfaltada é uma área da cidade, mais quente ela é. pois esses materiais ar¬mazenam calor e o devolvem para o ar na forma de radiação térmica. Em áreas nas quais há solo exposto, plantas e árvores, esses absorvem o calor sem praticamente refleti-lo de volta para a atmosfera. Além disso, ainda resfriam o ambiente devol-vendo a água da chuva pela evaporação, pois uma das propriedades físicas da água é ser sempre mais fria que o ar.
Em áreas urbanas de ilhas de calor, cresce o consumo de energia com a necessidade maior de refrigeração de máquinas na indús¬tria, de escritórios, de centros comerciais e mesmo dos motores e do interior dos auto¬móveis em engarrafamentos. A diferença de temperatura entre uma área verde com solo exposto e uma típica área de centro de uma cidade, com solo impermeabilizado, pode ser de 5 graus centígrados ou mais.
Esforços conjuntos

Diminuir o consumo de energia das cidades, enquanto ainda estão crescendo e demandando mais energia, é um desafio e tanto. Não há dúvida entre os especialistas de que, nas cidades, o primeiro ponto-chave está no setor de transportes e que é preciso substituir os motores a gasolina e o diesel por motores elétricos ou movidos a biocombustíveis (etanol e biodiesel) ou hidrogênio. Além disso, é necessário desestimular o uso dos automóveis e ampliar, melhorar e estimular o uso do transporte público.
No setor de energia, é preciso substituir os combustíveis fósseis por outros, como eletricidade gerada por energias limpas. Além dessas medidas, várias iniciativas e diretrizes são sugeridas e adotadas pelas cidades.Veja algumas:
- Programas de estimulo à maior eficiên¬cia energética, para reduzir o consumo de motores de transporte, máquinas, sistemas industriais, edifícios de gran¬de porte e até dos eletrodomésticos.
- Programas para estimular transporte não motorizado, a pé ou de bicicleta.
- Construções com a "arquitetura in¬teligente" de edifícios comerciais e residenciais que buscam ser autos-sustentáveis, melhorando a efici¬ência no uso da energia solar para eletricidade e aquecimento; reci¬clagem da água utilizada no imóvel; melhor organização dos espaços; e horários das diferentes atividades e manuseio do lixo.
- Construção de usinas energéticas que queimam gás natural produzido por aterros sanitários.
- Programas governamentais para ampliar a fabricação, a venda e o uso de placas de aquecimento solar e de energia fotovoltaica e de mini-geradores eólicos para residências.

Cidades ameaçadas

Além de as transformações climáticas em andamento já afetarem as cidades, com a mudança nos ciclos de chuvas e outras variações, o nível dos oceanos está subin¬do. No século XX, estima-se que as águas tenham se elevado até 17 centímetros, e as projeções consideradas conservadoras são de que poderão subir mais 22 a 34 cen¬tímetros até 2080. Atenção: meio metro não é pouca água. A maioria das cidades não está preparada para isso.
Das 20 megacidades que há no mundo, 13 estão no litoral. As grandes cidades mais expostas a riscos ficam nos Estados Unidos, no Japão e na Holanda, com destaque para Nova York e Tóquio (me¬gacidades) e Amsterdã. Segundo cálcu¬lo das Nações Unidas, as áreas de terra mundiais a apenas 10 metros acima do nível do mar representam 2% de toda a terra do planeta e concentram 13% da população urbana do mundo. Como tam¬bém o volume e o nível de água doce vão subir, há o risco maior de enchentes em cidades localizadas na desembocadura de grandes rios, como as megacidades Daca (Bangladesh) e Calcutá (índia).
Para saber mais leia
: Atualidades vestibular – editora Abril

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