sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Planeta apertado

A urbanização acelerada não é prerro¬gativa apenas do Brasil. No planeta todo a população concentra-se cada vez mais nas cidades. Desde que surgiram os primeiros centros urbanos, há cerca de 6 mil anos, na Mesopotâmia (atual Iraque), no decorrer da maior parte da história as cidades foram pe¬quenos e animados aglomerados de pessoas que se dedicavam a ofícios e ao comércio, cercadas por uma grande população rural. Até meados do século XIX, a população mundial que vivia em cidades jamais exce¬dera 7%. O quadro começou a mudar com a Revolução Industrial, no século XIX. Os avanços tecnológicos levaram ao desenvolvi¬mento da indústria, que por sua vez passou a atrair cada vez mais gente para as cidades. Em 2008, um recorde: pela primeira vez na história, a maior parte da população mundial vive em centros urbanos.
Segundo a ONU, a taxa de crescimento das populações urbanas está caindo. Entre 1950 e 2007, a média anual ficou em 2,6%. As projeções indicam que entre 2007 e 2025 a taxa deve cair para 1,8% ao ano e para 1,3% até 2050. Ainda assim, até meados do século XXI, as cidades passarão dos atuais 3,3 bilhões de moradores para 6,4 bilhões. Por volta de 2050, pelos menos 70% da população mundial deverá viver nos centros urbanos (algumas projeções apontam 80%). Praticamente todo o crescimento popu¬lacional mundial deve se concentrar nas cidades - principalmente nas regiões menos desenvolvidas. No Brasil, da população total de 254 milhões de habitantes projetada para 2050,93,6% estarão nas cidades.
Não é por falta de espaço que as cidades deixarão de crescer. Segundo um estudo da Universidade Columbia, nos EUA, as áreas urbanas só ocupam 3% das terras do planeta. Isso não significa que todas as cidades cresçam sempre no mesmo ritmo. São Paulo, por exemplo, deverá ter subido duas posições no ranking das maiores me¬trópoles até 2010 .
Mas deve voltar ao quinto lugar em 2025, com 21,4 milhões de habitantes, ultrapassada por cidades de regiões menos desenvolvi¬das, cujo crescimento urbano ocorre mais rapidamente (Nova Délhi, na índia, e Daca, em Bangladesh). O Rio de Janeiro deve cair: passará da atual 14a colocação para a 16a em 2015. Dez anos depois, deverá estar em 18° lugar, com 13,4 milhões de habitantes.
Em termos globais, os especialistas consideram que a urbanização constitui mais um fator de risco ao desenvolvi¬mento sustentável do planeta - ao lado da crise de energia e do aquecimento global. Se a tendência apontada pela ONU para os próximos 40 anos se confirmar - ou seja, se a população urbana realmente dobrar até a metade deste século e se a área das cidades crescer na mesma proporção -, a produção agrí¬cola pode sofrer grande impacto. É que, tradicionalmente, as maiores cidades foram assentadas sobre terras férteis. Considerando-se que, no máximo, 15% da superfície do planeta seja constituída de terras aráveis, se as cidades também dobrarem de tamanho, passando a ocu¬par não mais 3%, mas 6% das terras, a urbanização promete ter forte impacto negativo sobre a produção agrícola.
Cruzamento de dados feito pelo Institu¬to de Pesquisa Econômica Aplicada (ipea) com informações do IBGE revela que 34,5 milhões de brasileiros moradores de áreas urbanas não têm acesso a coleta de esgoto e que 8,5% da população das cidades vivem em cortiços, com mais de três habitantes por cômodo. (...)
O levantamento mostra, entretanto, uma melhora geral em relação às pessoas que têm acesso aos serviços simul¬tâneos de saneamento (água, esgoto e coleta de resíduos). Em 2001,70% dos moradores de áreas urbanas tinham serviços de saneamento; em 2006, esse número subiu para 73,2%.
Apesar da redução superiora 5 pontos percentuais de domicílios sem saneamento básico na Região Norte e de mais de 2 pontos na Centro-Oeste em relação a 2001, mais da metade da população urbana dessas duas regiões não tem acesso ao serviço (59,5% na Norte e 53,1% na Centro-Oeste).
A Região Sudeste é a de melhor desem¬penho nos dados, com 10,7% da popula¬ção sem acesso a saneamento básico. Na média gerai do Brasil, um em cada quatro moradores de cidades (26,8%) não tem rede de saneamento domiciliar.
Segundo a pesquisadora do ípea Maria da Piedade, o Brasil deve atingir em breve a meta estabelecida pela ONU nos Obje¬tivos de Desenvolvimento do Milênio so¬bre a cobertura de acesso à água potável. Atualmente, 91% da população urbana tem acesso a água canalizada. A meta estabelecida é de 91,2% até 2015. (...)

Para saber mais leia: Atualidades vestibular 2009 – Ed. Abril

Nenhum comentário:

Postar um comentário